Na última semana, uma das competições nacionais mais equilibradas do mundo teve início, a Premier League. Quem acompanhou às partidas se deparou com um brasileiro que até mesmo o mais ferrenho amante do futebol internacional tem dificuldades de reconhecer: Wesley Morais. O jovem, que nunca atuou profissionalmente no Brasil, tornou-se a maior contratação da história do tradicional Aston Villa, que desembolsou 22 milhões de libras para contar com o jogador.

Mas por que o caso do atacante seria importante em uma coluna sobre direito desportivo?

Simples. Com sua ida à Inglaterra, Wesley pode ter salvado a vida financeira de seus ex-clubes nas categorias de base, por meio do “Mecanismo de Solidariedade da Fifa”, implementado no início da década de 2000.
A ferramenta tem como objetivo “premiar” os times em que o atleta se desenvolveu dos seus 12 aos 23 anos, com o pagamento de 5% do valor total da negociação. A divisão funciona da seguinte forma: dos 12 aos 15 anos, o repasse é de 0.25% por temporada, enquanto dos 16 aos 23, a porcentagem aumenta para 0.50%. Isso faz com que um modesto time brasileiro, como o Itabuna, da Bahia, tenha a chance de dividir um valor de 1.1 milhão de libras.

A modalidade não é uma novidade no Brasil. Quando o atacante brasileiro Hulk deixou o Porto rumo ao Zenit em 2012, por R$ 153 milhões, o pequeno Serrano da Paraíba recebeu R$ 475 mil. Responsável por revelar o atleta, mesmo tendo o mesmo por apenas dois anos em seus quadros, o time foi salvo de uma iminente falência e ainda se reestruturou com a verba, chegando à elite do futebol estadual em 2016.

O Mecanismo de Solidariedade tornou-se uma das mais importantes adições da Fifa no século. Para as pequenas equipes, a ferramenta torna-se a chance de receber valores antes inimagináveis. Já para os gigantes, a previsão de vendas tornou-se até mesmo um item colocado em orçamento. O caso mais recente, por exemplo, foi o do jovem David Neres que, com sua renovação com o Ajax, “impediu” o São Paulo de receber valores previstos no “pedaço” retido do atleta e no próprio mecanismo.